E a música lhe pune
e corta como faca
embebida em álcool
e queima como o
fósforo
que se jogou logo depois.
Fecha os olhos e foca
- eu não vou esquecer -
e se agarra na corda da
lembrança.
Cabo de guerra:
se perder
vai tudo.
Não há mais nada
para reviver.
A faca acompanha teus passos
enfiada no peito
e por vezes ela gira,
sai
e entra
e dói como se fosse a primeira
vez.
Púrpura.
agosto 26, 2015
você nunca vai estar por cima.
o mais alto que você esteve
e havia outro corpo
embaixo
ao lado
atrás
de
mim.
você nunca vai estar na minha mente.
até quando eu mais devia pensar em ti
havia outro pensamento
no canto
no centro
debaixo
e
no
fim.
não ache,
meu bem
que foi díficil
te esquecer.
a verdade é que eu nunca
me lembrei
quem, afinal, era você
e diga o que quiser de mim
diga o quanto sou Lilith, indomável,
por te devolver os tons de púrpura impressos em meus braços
em forma de marcas
onde pulsa
a jugular.
me perdoe
por te clamar uma única vez
e sujar o chão de fluido
enquanto o joelho ralava nas frestas do piso.
você fez certo em me pôr pra fora
como se carrega um bicho de volta para a jaula.
inverteram-se os papéis
e eu fui muito bem treinada,
não hesitou
num fôlego
nem palpitou
um coração.
enquanto sua saliva salta
em energia cólera para fora da tua boca
e cita o meu nome faltando consoantes
digo apenas que
mesmo quando minhas palavras deveriam ser destinadas a você
meus lábios expeliam vogais
que não te pertencem.
o mais alto que você esteve
e havia outro corpo
embaixo
ao lado
atrás
de
mim.
você nunca vai estar na minha mente.
até quando eu mais devia pensar em ti
havia outro pensamento
no canto
no centro
debaixo
e
no
fim.
não ache,
meu bem
que foi díficil
te esquecer.
a verdade é que eu nunca
me lembrei
quem, afinal, era você
e diga o que quiser de mim
diga o quanto sou Lilith, indomável,
por te devolver os tons de púrpura impressos em meus braços
em forma de marcas
onde pulsa
a jugular.
me perdoe
por te clamar uma única vez
e sujar o chão de fluido
enquanto o joelho ralava nas frestas do piso.
você fez certo em me pôr pra fora
como se carrega um bicho de volta para a jaula.
inverteram-se os papéis
e eu fui muito bem treinada,
não hesitou
num fôlego
nem palpitou
um coração.
enquanto sua saliva salta
em energia cólera para fora da tua boca
e cita o meu nome faltando consoantes
digo apenas que
mesmo quando minhas palavras deveriam ser destinadas a você
meus lábios expeliam vogais
que não te pertencem.
Desabitado.
agosto 02, 2015
Me peguei pensando na tua barba resvalando na minha bochecha
enquanto um ecossistema se troca entre os lábios,
o sangue se agita e inunda
acumula
distende.
A estampa azul em formato xadrez se despedaça
por uma parede esquálida de mármore
onde bate
o coração
e o estômago
embrulha.
Os olhos se fecham
e perco o último sentido que me restava
- os outros há muito já me foram roubados -
não sinto o timbre da sua voz
e não sei a intensidade do seu som.
Não percebo o gosto do seus lábios
e as histórias transpassadas neles.
Me perco na medida do teus ombros e
esqueço que teu corpo tem formato.
Teu corpo carrega feridas que eu já não consigo sentir.
Quem nada tem,
nada vê.
Nada sente.
ouve.
ou diz.
enquanto um ecossistema se troca entre os lábios,
o sangue se agita e inunda
acumula
distende.
A estampa azul em formato xadrez se despedaça
por uma parede esquálida de mármore
onde bate
o coração
e o estômago
embrulha.
Os olhos se fecham
e perco o último sentido que me restava
- os outros há muito já me foram roubados -
não sinto o timbre da sua voz
e não sei a intensidade do seu som.
Não percebo o gosto do seus lábios
e as histórias transpassadas neles.
Me perco na medida do teus ombros e
esqueço que teu corpo tem formato.
Teu corpo carrega feridas que eu já não consigo sentir.
Quem nada tem,
nada vê.
Nada sente.
ouve.
ou diz.
"Tame Impala meets Animal Collective"
Pinturas digitais feitas por mim. Eu ainda não sei bem em que parte da minha alma eu resgato essa vontade de desenhar, colorir, montar e pintar em mim. Não sei para onde estou indo quando uso cores vibrantes e qual o motivo de cada detalhe. Mas tá tudo aí. Tudo tem um significado grande para mim. Pedacinhos de mim a mercê da interpretação de vocês ♥ Quero poder explorar ainda mais esse meu lado e conseguir me superar a cada desenho. É um alívio poder se expressar de várias formas. Olhar para uma partezinha dos teus sentimentos exteriorizada. Se sou artista ou não, isso não me importa. Sou eu.
Desenhos base:
1, 2 e 4 - Sara Herranz
5 - Alexaspizza
3 - Yukari Terakado
Amor e clichê.
julho 23, 2015
Amar é o risco,
amar é abrir mão,
é dar tudo de ti
sem saber se algum dia será retribuído.
Amar são pernas bambas
andando em linha reta
sem ter medo de cair.
Amar não é mais que a si mesmo
mas é muito além de si.
Amar é estar cheio
de algo que alguém nunca te deu.
Amar é a ideia de ver um sorriso
mesmo que o motivo
nunca te reconheça.
Amar é um frete grátis
para um destino no Japão.
Amar é o manto negro
que cobre teus olhos
em meio às tuas escolhas.
Amar é um passo
sem se mexer.
Amar é um tiro cego
proposital
sem oscilar o dedo no gatilho.
Amar é sentir
sem nunca pedir de volta.
Amar é gostar tanto de um ser
que só o saber de sua existência
lhe dá o fruto do prazer.
Amar é uma chicotada nas costas
sem doer.
Amar é um salto da ponte
abraçado com um desconhecido.
Amar é a maior fé
que nos honrou a natureza.
Amar é hoje
sem esperar o amanhã.
Amar é descobrir isso
e correr para escrever um poema.
É perceber que faltam palavras
mas não lhe falta amor.
Amar não dói
e não fere.
amar é abrir mão,
é dar tudo de ti
sem saber se algum dia será retribuído.
Amar são pernas bambas
andando em linha reta
sem ter medo de cair.
Amar não é mais que a si mesmo
mas é muito além de si.
Amar é estar cheio
de algo que alguém nunca te deu.
Amar é a ideia de ver um sorriso
mesmo que o motivo
nunca te reconheça.
Amar é um frete grátis
para um destino no Japão.
Amar é o manto negro
que cobre teus olhos
em meio às tuas escolhas.
Amar é um passo
sem se mexer.
Amar é um tiro cego
proposital
sem oscilar o dedo no gatilho.
Amar é sentir
sem nunca pedir de volta.
Amar é gostar tanto de um ser
que só o saber de sua existência
lhe dá o fruto do prazer.
Amar é uma chicotada nas costas
sem doer.
Amar é um salto da ponte
abraçado com um desconhecido.
Amar é a maior fé
que nos honrou a natureza.
Amar é hoje
sem esperar o amanhã.
Amar é descobrir isso
e correr para escrever um poema.
É perceber que faltam palavras
mas não lhe falta amor.
Amar não dói
e não fere.
Piabas.
Meia-noite
e eu tentando lembrar dos teus
olhos,
multicoloridos,
atravessando meu
corpo
como os dentes de uma pantera
cortam uma jugular.
Os olhos vermelhos
em herbácea
imensos à minha frente
- como se não houvesse
mais nada nesse mundo,
como se
o mundo se bastasse neles -
conduziam-me em arrepios
enquanto o colo
rebolava.
Lembrei-me que um dia
era aquele universo caleidoscópico,
policromático,
quem me cabia por
todas as manhãs de Primavera
e a quem inundei
nos dias de Verão.
Em meio ao ocre,
verde,
e um intruso dourado,
refletia-se em tons pastéis
o loiro do meu cabelo
e a curva dos meus seios.
Olhos dissimulados não me
largavam.
Iam à fundo.
Grudados
magnetizados
- eu positivo e você negativo.
Levavam embora tudo o que eu tinha,
roubavam
minha alma,
sem
pestanejar.
Incontingentes
instigantes
inconsoláveis.
Carregavam por aí tudo
o que eu já fora
alguma vez.
E tudo
o que
eu sempre
serei.
e eu tentando lembrar dos teus
olhos,
multicoloridos,
atravessando meu
corpo
como os dentes de uma pantera
cortam uma jugular.
Os olhos vermelhos
em herbácea
imensos à minha frente
- como se não houvesse
mais nada nesse mundo,
como se
o mundo se bastasse neles -
conduziam-me em arrepios
enquanto o colo
rebolava.
Lembrei-me que um dia
era aquele universo caleidoscópico,
policromático,
quem me cabia por
todas as manhãs de Primavera
e a quem inundei
nos dias de Verão.
Em meio ao ocre,
verde,
e um intruso dourado,
refletia-se em tons pastéis
o loiro do meu cabelo
e a curva dos meus seios.
Olhos dissimulados não me
largavam.
Iam à fundo.
Grudados
magnetizados
- eu positivo e você negativo.
Levavam embora tudo o que eu tinha,
roubavam
minha alma,
sem
pestanejar.
Incontingentes
instigantes
inconsoláveis.
Carregavam por aí tudo
o que eu já fora
alguma vez.
E tudo
o que
eu sempre
serei.
Euforia.
Um gole de citronada
e outra cabeça batendo na mesa
plaft,
plaft,
splash!
Rachou-se e jorrou sangue,
tragam-me mais uma.
Outro gole
e a mão dele está encostada na parede
enquanto a outra está
precisamente onde deveria estar.
“agora”
e o arfar tamborila os ouvidos
O maior gole
e a vida então é uma mão dupla:
o que vai, volta.
vai
e
volta.
vai-e-volta.
Sensações
materialismos
e pessoas,
principalmente
pessoas.
Elas vão e voltam
quando vem
e elas vão e voltam
quando vão.
Título.
| autrement adv | (d'une autre manière) | differently adv |
| some other way adv | ||
| by other means adv | ||
| On n'y arrivera pas comme ça, il faut s'y prendre autrement. | ||
| We won't get anywhere like this; we need to go about it differently. | ||
| autrement adv | familier (sinon) | otherwise adv |
| if not adv | ||
| Ils ont dû bien arriver, autrement ils nous auraient appelées. | ||
| They must have arrived, otherwise they would have called us. | ||
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