Embrulho no estômago
o ácido queimando
- corroendo -
náuseas e,
de repente,
o pão torrado do café da manhã
retorna à terra
com gosto de vômito.
“Você é tão interessante quanto
o ciclo sexual de uma
briófita.”
“E sua bunda é pequena porque
você passa o dia todo sentado!”
Sabe que quando eu bater a porta
de madeira decrépita do
teu quarto
eu não vou voltar.
Você tá me ouvindo?
Eu
Não
Vou
Voltar.
Por que está aí rindo?
Não vejo graça alguma.
Se eu fosse esse teu copo de cerveja
aposto que iria levantar para vir me buscar
Vá em frente.
Beba mais um
gole.
Se console tendo todas as mulheres do mundo:
gostosas, pequenas
de unhas curtas ou longas.
Ruivas e morenas
As inocentes e frágeis
e as que vão te chupar no cinema.
Continue bebendo.
Esse gosto amargo combina bastante com você.
Isso é antropofagismo?
Eu estou indo embora.
E você também.
Tifose
Passo as páginas
O áspero se arrastando por meus dedos
gastos de tanto emaranhar nos teus cabelos
e de tanto deslizar no macio da sua pele
Meus olhos se esforçam para discernir as letras
miúdas e suaves
- como eu ao teu lado -
Vista cansada de tanto admirar a carne pálida da tua boca
e de tanto encarcerar as lágrimas por seus atos
O áspero se arrastando por meus dedos
gastos de tanto emaranhar nos teus cabelos
e de tanto deslizar no macio da sua pele
Meus olhos se esforçam para discernir as letras
miúdas e suaves
- como eu ao teu lado -
Vista cansada de tanto admirar a carne pálida da tua boca
e de tanto encarcerar as lágrimas por seus atos
4 AM
Estava escuro
mas não era preciso que eu forçasse os olhos
para notar que você estava sorrindo,
solenemente sorrindo.
Me aconcheguei em teu peito.
Meu rosto imaturo em meio àqueles ombros largos
que eu sempre fazia questão
de exaltar.
O gosto adocicado de seus lábios
ainda estavam nos meus.
Sabor vicioso
e o meu predileto.
Teus braços me envolviam
como grandes muralhas que
me acolhiam
e ironicamente me desafiavam.
Subi minha mão
e meu tato reconheceu a seda dos teus cabelos
claros
suados
e
bagunçados.
Foi então que eu percebi
que até mesmo a parte mais sem vida de você
me
deixa
eufórica.
(In)completo.
outubro 12, 2015
E a música lhe pune
e corta como faca
embebida em álcool
e queima como o
fósforo
que se jogou logo depois.
Fecha os olhos e foca
- eu não vou esquecer -
e se agarra na corda da
lembrança.
Cabo de guerra:
se perder
vai tudo.
Não há mais nada
para reviver.
A faca acompanha teus passos
enfiada no peito
e por vezes ela gira,
sai
e entra
e dói como se fosse a primeira
vez.
e corta como faca
embebida em álcool
e queima como o
fósforo
que se jogou logo depois.
Fecha os olhos e foca
- eu não vou esquecer -
e se agarra na corda da
lembrança.
Cabo de guerra:
se perder
vai tudo.
Não há mais nada
para reviver.
A faca acompanha teus passos
enfiada no peito
e por vezes ela gira,
sai
e entra
e dói como se fosse a primeira
vez.
Púrpura.
agosto 26, 2015
você nunca vai estar por cima.
o mais alto que você esteve
e havia outro corpo
embaixo
ao lado
atrás
de
mim.
você nunca vai estar na minha mente.
até quando eu mais devia pensar em ti
havia outro pensamento
no canto
no centro
debaixo
e
no
fim.
não ache,
meu bem
que foi díficil
te esquecer.
a verdade é que eu nunca
me lembrei
quem, afinal, era você
e diga o que quiser de mim
diga o quanto sou Lilith, indomável,
por te devolver os tons de púrpura impressos em meus braços
em forma de marcas
onde pulsa
a jugular.
me perdoe
por te clamar uma única vez
e sujar o chão de fluido
enquanto o joelho ralava nas frestas do piso.
você fez certo em me pôr pra fora
como se carrega um bicho de volta para a jaula.
inverteram-se os papéis
e eu fui muito bem treinada,
não hesitou
num fôlego
nem palpitou
um coração.
enquanto sua saliva salta
em energia cólera para fora da tua boca
e cita o meu nome faltando consoantes
digo apenas que
mesmo quando minhas palavras deveriam ser destinadas a você
meus lábios expeliam vogais
que não te pertencem.
o mais alto que você esteve
e havia outro corpo
embaixo
ao lado
atrás
de
mim.
você nunca vai estar na minha mente.
até quando eu mais devia pensar em ti
havia outro pensamento
no canto
no centro
debaixo
e
no
fim.
não ache,
meu bem
que foi díficil
te esquecer.
a verdade é que eu nunca
me lembrei
quem, afinal, era você
e diga o que quiser de mim
diga o quanto sou Lilith, indomável,
por te devolver os tons de púrpura impressos em meus braços
em forma de marcas
onde pulsa
a jugular.
me perdoe
por te clamar uma única vez
e sujar o chão de fluido
enquanto o joelho ralava nas frestas do piso.
você fez certo em me pôr pra fora
como se carrega um bicho de volta para a jaula.
inverteram-se os papéis
e eu fui muito bem treinada,
não hesitou
num fôlego
nem palpitou
um coração.
enquanto sua saliva salta
em energia cólera para fora da tua boca
e cita o meu nome faltando consoantes
digo apenas que
mesmo quando minhas palavras deveriam ser destinadas a você
meus lábios expeliam vogais
que não te pertencem.
Desabitado.
agosto 02, 2015
Me peguei pensando na tua barba resvalando na minha bochecha
enquanto um ecossistema se troca entre os lábios,
o sangue se agita e inunda
acumula
distende.
A estampa azul em formato xadrez se despedaça
por uma parede esquálida de mármore
onde bate
o coração
e o estômago
embrulha.
Os olhos se fecham
e perco o último sentido que me restava
- os outros há muito já me foram roubados -
não sinto o timbre da sua voz
e não sei a intensidade do seu som.
Não percebo o gosto do seus lábios
e as histórias transpassadas neles.
Me perco na medida do teus ombros e
esqueço que teu corpo tem formato.
Teu corpo carrega feridas que eu já não consigo sentir.
Quem nada tem,
nada vê.
Nada sente.
ouve.
ou diz.
enquanto um ecossistema se troca entre os lábios,
o sangue se agita e inunda
acumula
distende.
A estampa azul em formato xadrez se despedaça
por uma parede esquálida de mármore
onde bate
o coração
e o estômago
embrulha.
Os olhos se fecham
e perco o último sentido que me restava
- os outros há muito já me foram roubados -
não sinto o timbre da sua voz
e não sei a intensidade do seu som.
Não percebo o gosto do seus lábios
e as histórias transpassadas neles.
Me perco na medida do teus ombros e
esqueço que teu corpo tem formato.
Teu corpo carrega feridas que eu já não consigo sentir.
Quem nada tem,
nada vê.
Nada sente.
ouve.
ou diz.
"Tame Impala meets Animal Collective"
Pinturas digitais feitas por mim. Eu ainda não sei bem em que parte da minha alma eu resgato essa vontade de desenhar, colorir, montar e pintar em mim. Não sei para onde estou indo quando uso cores vibrantes e qual o motivo de cada detalhe. Mas tá tudo aí. Tudo tem um significado grande para mim. Pedacinhos de mim a mercê da interpretação de vocês ♥ Quero poder explorar ainda mais esse meu lado e conseguir me superar a cada desenho. É um alívio poder se expressar de várias formas. Olhar para uma partezinha dos teus sentimentos exteriorizada. Se sou artista ou não, isso não me importa. Sou eu.
Desenhos base:
1, 2 e 4 - Sara Herranz
5 - Alexaspizza
3 - Yukari Terakado
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