Amor e clichê.

julho 23, 2015

Amar é o risco,
amar é abrir mão,
é dar tudo de ti
sem saber se algum dia será retribuído.

Amar são pernas bambas
andando em linha reta
sem ter medo de cair.

Amar não é mais que a si mesmo
mas é muito além de si.

Amar é estar cheio
de algo que alguém nunca te deu.  

Amar é a ideia de ver um sorriso
mesmo que o motivo
nunca te reconheça.

Amar é um frete grátis
para um destino no Japão.

Amar é o manto negro
que cobre teus olhos
em meio às tuas escolhas.

Amar é um passo
sem se mexer.

Amar é um tiro cego
proposital
sem oscilar o dedo no gatilho.

Amar é sentir
sem nunca pedir de volta.

Amar é gostar tanto de um ser
que só o saber de sua existência
lhe dá o fruto do prazer.

Amar é uma chicotada nas costas
sem doer.

Amar é um salto da ponte
abraçado com um desconhecido.

Amar é a maior fé
que nos honrou a natureza.

Amar é hoje
sem esperar o amanhã.

Amar é descobrir isso
e correr para escrever um poema.
É perceber que faltam palavras
mas não lhe falta amor.

Amar não dói
e não fere.

Piabas.

Meia-noite
e eu tentando lembrar dos teus
olhos,
multicoloridos,
atravessando meu
corpo
como os dentes de uma pantera
cortam uma jugular.

Os olhos vermelhos
em herbácea
imensos à minha frente
- como se não houvesse
mais nada nesse mundo,
como se
o mundo se bastasse neles -
conduziam-me em arrepios
enquanto o colo
rebolava.

Lembrei-me que um dia
era aquele universo caleidoscópico,
policromático,
quem me cabia por
todas as manhãs de Primavera
e a quem inundei
nos dias de Verão.

Em meio ao ocre,
verde,
e um intruso dourado,
refletia-se em tons pastéis
o loiro do meu cabelo
e a curva dos meus seios.
Olhos dissimulados não me
largavam.
Iam à fundo.
Grudados
magnetizados
- eu positivo e você negativo.
Levavam embora tudo o que eu tinha,
roubavam
minha alma,
sem
pestanejar.

Incontingentes
instigantes
inconsoláveis.
Carregavam por aí tudo
o que eu já fora
alguma vez.

E tudo
o que
eu sempre
serei.

Euforia.

Um gole de citronada
e outra cabeça batendo na mesa
plaft,
plaft,
splash!
Rachou-se e jorrou sangue,
tragam-me mais uma.

Outro gole
e a mão dele está encostada na parede
enquanto a outra está
precisamente onde deveria estar.
“agora”
e o arfar tamborila os ouvidos

O maior gole
e a vida então é uma mão dupla:
o que vai, volta.
vai
e
volta.
vai-e-volta.
Sensações
materialismos
e pessoas,
principalmente
pessoas.

Elas vão e voltam
quando vem
e elas vão e voltam
quando vão.

Título.

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On n'y arrivera pas comme ça, il faut s'y prendre autrement.
We won't get anywhere like this; we need to go about it differently.
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Ils ont dû bien arriver, autrement ils nous auraient appelées.
They must have arrived, otherwise they would have called us.