Meia-noite
e eu tentando lembrar dos teus
olhos,
multicoloridos,
atravessando meu
corpo
como os dentes de uma pantera
cortam uma jugular.
Os olhos vermelhos
em herbácea
imensos à minha frente
- como se não houvesse
mais nada nesse mundo,
como se
o mundo se bastasse neles -
conduziam-me em arrepios
enquanto o colo
rebolava.
Lembrei-me que um dia
era aquele universo caleidoscópico,
policromático,
quem me cabia por
todas as manhãs de Primavera
e a quem inundei
nos dias de Verão.
Em meio ao ocre,
verde,
e um intruso dourado,
refletia-se em tons pastéis
o loiro do meu cabelo
e a curva dos meus seios.
Olhos dissimulados não me
largavam.
Iam à fundo.
Grudados
magnetizados
- eu positivo e você negativo.
Levavam embora tudo o que eu tinha,
roubavam
minha alma,
sem
pestanejar.
Incontingentes
instigantes
inconsoláveis.
Carregavam por aí tudo
o que eu já fora
alguma vez.
E tudo
o que
eu sempre
serei.
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