Me peguei pensando na tua barba resvalando na minha bochecha
enquanto um ecossistema se troca entre os lábios,
o sangue se agita e inunda
acumula
distende.
A estampa azul em formato xadrez se despedaça
por uma parede esquálida de mármore
onde bate
o coração
e o estômago
embrulha.
Os olhos se fecham
e perco o último sentido que me restava
- os outros há muito já me foram roubados -
não sinto o timbre da sua voz
e não sei a intensidade do seu som.
Não percebo o gosto do seus lábios
e as histórias transpassadas neles.
Me perco na medida do teus ombros e
esqueço que teu corpo tem formato.
Teu corpo carrega feridas que eu já não consigo sentir.
Quem nada tem,
nada vê.
Nada sente.
ouve.
ou diz.
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